Jesse Hughes entrevista Josh Homme: Evolução musical, liderança, fama e mais

Londres, 2008 (Foto: Jesse Wild)

No último dia 01/05, Josh Homme e Jesse “The Devil” Hughes (Eagles of Death Metal) conversaram a respeito do novo álbum da Queens of the Stone Age, “…Like Clockwork”.
A entrevista foi transmitida no programa de Hughes, o “Boots Electric Radio” e pode ser encontrada inteiramente aqui.

Jesse: (…) Mas realmente, o que está por trás do álbum (“…Like Clockwork”), a criação dele e o que ele representa, a conquista que ele é… Eu acredito que é convincente e bem interessante. E você (Josh) não está nada além de inacreditável, mas você parece meio cansado. Explique a causa.
Josh: Bom, sabe, depois de tomar tanto tempo para descansar e contemplando Zero, entre outras coisas que comecei a curtir durante essa pausa, como essa coisa toda está recomeçando, a gente queria fazer tanta arte… Não queríamos deixar nenhum detalhe desfeito, então tem muita coisa pra fazer, sabe? Acho que esquecemos o tanto que leva para fazer isso ficar ótimo, então nós meio que mergulhamos nisso.

Jesse: Quando você está fazendo esses álbuns, por que… Você tem uma base de fãs e esses fãs tem certo conhecimento sobre você, eles estão familiarizados com você. Então, você cresceu junto à sua música. Mas o que quero perguntar é se isso coloca alguma pressão sobre você, uma expectativa que te pressiona, que alimenta os tipos de detalhes pelos quais você procura?
Josh: Bem, você sabe que a gente se conhece há tempos e você sabe que a verdadeira pressão é… Eu falo isso para os garotos (da banda) também, que se você estabelecer seus padrões alto o suficiente, você está ultrapassando o dos outros de qualquer forma, então pode não perceber os padrões dos outros quando os seus são o limite de onde você alcança. E isso pode não traduzir para “você é o melhor de todos”, mas você está correndo atrás de algo para si mesmo que é mais alto do que o que os outros colocam para você. Então não é tanto uma pressão, como é algo que é obrigatório, que você dê às músicas, que são como pessoas, como personagens, uma representação precisa. E eu não sei se eu considero isso uma pressão ou só a obrigação que você tem que representar cada música corretamente. E é por isso que eu me sinto como quisesse estar empurrando a música por aí, mas na verdade estou sendo empurrado por aí por ela, você se sente como se estivesse prestes a esquiar na água e estivesse conversando com alguém e de repente o barco partisse e você fosse levado junto. As pessoas me perguntam se eu escrevo a música e eu respondo como se eu fosse mais apenas quem a servisse.

Jesse: (…) Eu te conheço há muito tempo e você trabalha fazendo algo quando e como esse algo precisa ser feito e quando você decide fazê-lo você decide fazê-lo do jeito certo. E isso não é fácil.
Josh: Não, você tem que fazer custe o que custar e é o que faz desse álbum tão difícil, é que é como estar do outro lado do desfiladeiro. Não se trata de “se vamos atravessar”, se trata de “como vamos atravessar, porque nós vamos”. E quando você fala para os outros “nós vamos atravessar custe o que custar”, é como se algo difícil estivesse por vir.

Josh Homme, 2003 (Foto: Chris Davison)

Jesse: Quando você está numa banda, você tem a obrigação de crescer, de continuar crescendo e este é seu sexto álbum, e a cada álbum você só cresce. Parece assustador que você está na beira de um precipício e está pronto para pular pela sexta vez?
Josh: Bem, eu diria que meus objetivos nunca foram ficar necessariamente famoso, eu sempre penso nisso como algo infeliz que veio junto ao comprometimento de tocar música. E tem momentos em que isso é ótimo, sabe? Eu estaria mentindo se falasse (mal) dessas pequenas coisas que as pessoas fazem pra te conhecer na forma delas, na especialidade delas, pra te falar sobre como elas se sentem sobre o que você faz. Então isso é ótimo. Mas, sobre sua pergunta, é que, pelos anos, eu tentei não ser nem underground nem muito conhecido, parte de nenhuma cena (musical), um cara de fora ou parte desse mundo novo, e em algumas formas, nós desgastamos todos nossos movimentos, e ou você está crescendo, ou está morrendo, e acho que apenas tentei conter o crescimento e eliminar a morte. Mas nós estamos no lugar em que não há mais para onde ir, mas para levar isso para o próximo nível. O lance é que se você sabe antes que você sabe aonde ir, então você cria uma espécie de foguete antes do seu tempo, e um foguete em que você está confortável em dirigir. E eu acho que, depois de anos fazendo isso, você sabe como as coisas se parecem, e em que direção vão. E eu não sinto pressão nenhuma por isso e é por isso que estamos fazendo a arte que sairá com isso.

Jesse: Eu sei que você não está confortável com esses rótulos e títulos, mas quando você está mudando, é também um lugar requerido quando se está na posição de, pela falta de um termo melhor, liderança, quando se trata da comunidade musical, porque, querendo ou não, você se encontra num lugar onde as pessoas falam “me diga para onde ir musicalmente”.
Josh: Eu sempre vi meu avô como um líder relutante, eu nunca o vi lidar com isso muito bem, porque ele preferia deixar as pessoas serem quem elas são e se você fosse bom em algo, ele não entraria no seu caminho, então sua liderança não estava bem à frente das pessoas com a qual ele trabalhava, mas estava mais ao lado dessas pessoas, porque aí era possível que você descobrisse sua área de especialidade sem ter de te gerenciar, sabe? Você só fica encarregado de juntar essas pessoas e não por fazer elas fazerem algo.

O sexto álbum da Queens of the Stone Age, “…Like Clockwork”, tem data de lançamento prevista para o dia 04 de Junho e sua pré-venda já está aberta no site da Matador Records.

Confira também a ficha oficial de “MY GOD IS THE SUN”“I APPEAR MISSING”.

 

Nota: Vivienn Carvalho

Fonte: Boots Eletric Radio

Imagens: Jesse Wild / Chris Davison

Comentários

  1. Haziness diz:

    Ótima entrevista.
    “Não se trata de se vamos atravessar, se trata de como vamos atravessar, porque nós vamos.”

  2. helena homme diz:

    Amei as 4 primeiras musicas I Sat By The Ocean.