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(Foto: Rock in Rio/I Hate Flash)

A edição comemorativa de 30 anos do Rock in Rio nos presenteou com diversos eventos a serem comentados – a participação de Adam Lambert no show do icônico Queen, o tombo de Mike Patton durante a apresentação da lendária banda dos anos 1990, o Faith No More; o primeiro show da banda de metal Mastodon no Brasil e o atraso da atração pop Rihanna. Porém um fenômeno que, em meio a todos esses outros, pode ter passado desapercebido – apesar de ter sido extremamente curioso – foi o show do Queens of the Stone Age, na quinta-feira, 24 de setembro. A banda se apresentou como co-headliner para o System of a Down no Palco Mundo, e sobre essa performance há muito o que se tomar nota.

O QOTSA possui uma longa e conturbada história com o Brasil, e muito disso deve-se ao próprio festival, em edições anteriores.13
Convidados para a terceira edição do Rock in Rio, em 2001, a banda, que excursionava pelo seu segundo álbum, “Rated R“, ocupava um posto
congruente ao deste ano, tocando no Palco Mundo em um dia quase que exclusivamente dedicado ao metal, em que o headliner era o Iron Maiden e a banda que tocaria a seguir era o Sepultura. Diante de cerca de 250 mil metaleiros, o QOTSA se apresentou, boa parte do tempo com seu então baixista Nick Oliveri completamente nu, e sendo recebidos com milhares e milhares de vaias e xingamentos.
Para coroar essa performance desastrosamente histórica, fizeram de encerramento uma performance de 18 minutos de “You Can’t Quit Me Baby”, com direito a uma roda de capoeira em cima do palco.

Depois de tal performance que marcou o nome da banda na história do festival, o QOTSA só retornou ao Brasil nove anos depois, fazendo seguidas apresentaçãoes no país: 2010, 2013, 2014 e agora em 2015 novamente no Rock in Rio. E enquanto percebemos uma banda bem mais amadurecida, com um setlist que nunca se esperaria dos “moleques do deserto” de 2001, vários membros novos, e uma performance potente… o problema do headliner persiste.

O QOTSA não hesitou em abrir o setlist com “You Think I Ain’t Worth a Dollar But I Feel Like a Millionaire”, uma faixa que combina bateria e guitarra contagiantes e um vocal imponente, promovendo muito pula-pula entre o público. Depois, passamos por hits, momentos de alta tensão e de charme majestoso, de calmaria e de improviso. Quem conhece a banda superficialmente, pode reconhecer “No One Knows”, “In My Head”, “My God is the Sun” e “Go With the Flow”, enquanto os fãs mais árduos foram presenteados com “Regular John”, faixa de abertura do álbum de estreia da banda, com um jam duro e inédito, o que poderia garantir a performance como uma das melhores já feitas da música.

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(Foto: Rock in Rio/I Hate Flash)

Infelizmente, o público não se mostrou tão interessado quanto em algumas passagens da banda anteriormente; com destaque para o Lollapalooza Brasil 2013, onde o QOTSA foi o ‘headliner moral’ da noite, com um show incendiário do início ao fim.
No Rock in Rio, a resposta foi boa até “Smooth Sailing“, mas ao longo do show o público apenas aplaudia, sem muita interação com a banda. Há relatos, inclusive, de gritos pelo System of a Down e pessoas pedindo para a banda sair do palco (isso. Pessoas pedindo para o Queens of the Stone Age, uma das bandas mais conceituadas da atualidade, deixar o palco); felizmente foram atos esporádicos que não prejudicaram em nada o andamento da apresentação, que teve pouco mais de uma hora.
Apesar de tudo isso e de, talvez, a banda ter sentido a resposta mais fria da maioria do público presente, a performance foi tecnicamente impecável, mesmo com o Josh encerrando “Go With the Flow” um pouco antes do esperado por possíveis problemas na voz.

Nossa sorte é que, desde a volta da banda ao país em 2010, no festival SWU, Josh Homme e cia. viram que têm muita gente disposta a ver o Queens of the Stone Age ao vivo por aqui, inclusive com dois shows esgotados rapidamente no ano passado. Então podemos ficar despreocupados, não vai ser, de maneira alguma, a última vinda dos caras pra cá.

E falando em Josh, que pareceu não se abalar com a frieza da maioria dos presentes, terminamos esta resenha com suas palavras antes de “A Song for the Dead“:

Rio, thank you so much, we’re Queens of the Stone Age, we got a wonderful fucking time, we love you to death!

God save the Queens of the Stone Age!

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(Foto: Rock in Rio/I Hate Flash)

E claro, esta publicação não poderia terminar sem a nossa disponibilização do áudio e vídeo do show! As informações e links estão abaixo.

Setlist:

You Think I Ain’t Worth a Dollar, but I Feel Like a Millionaire
No One Knows
My God is the Sun
Burn the Witch
Smooth Sailing
In My Head
Regular John
Sick, Sick, Sick
The Vampyre of Time and Memory
If I Had a Tail
Little Sister
Fairweather Friends
Go With the Flow
A Song for the Dead

(“I Sat By the Ocean” e “3’s & 7’s” estavam no setlist, mas não foram tocadas).

Download:

Áudio: mp3; 320kbps (Possível baixar em arquivo .zip ou músicas individuais)

Vídeo: HD 720p (Dividido em três partes)

Fotos aqui.

Texto: Vivienn Carvalho e Thayná Maffei
Bootleg: Thayná Maffei
Revisão e capas para o bootleg: Bruno Furino

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